Lorenzo nunca acreditou em instinto, ele acreditava em números, contratos, cláusulas, projeções, mas naquela manhã, enquanto revisava relatórios que normalmente dominava com frieza cirúrgica, sua mente desviava repetidamente para um único detalhe, olhos escuros, curiosos, familiarmente inquietos, MATTEO. Ele fechou a pasta com mais força do que pretendia. Irritação não era comum nele, mas aquilo não era irritação, era… inquietação, algo que não encaixava, ele tentou racionalizar. Crianças são parecidas, coincidências existem. Helena não o procurou, nunca mencionou nada, seria absurdo. Mas algo o lembrava da forma como o menino o olhou, sem medo, sem cerimônia, como se houvesse reconhecimento onde não deveria existir, e isso fez com que ele respirasse fundo, passando as mãos pelos cabelos. — Traga o cronograma do dia — pediu ao assistente. Quando o documento chegou, seus olhos percorreram rapidamente as atividades da conferência e então ele viu que na área externa haveria u
Ler mais