Os dias seguintes não mudam de uma vez. E talvez seja exatamente isso que os torne mais difíceis. Thomas não vai embora, mas também não invade. Ele ocupa o espaço com cuidado, como quem pisa em terra rachada com medo de quebrar ainda mais. Dorme no quarto de hóspedes, acorda cedo, ajuda no que pode. Conserta uma cerca aqui, carrega ração ali, mas sempre me olha antes — como se pedisse permissão para existir naquele lugar. Eu observo tudo à distância. Vejo o homem que cresceu na fazenda dos avós reaparecer nos gestos simples. As mãos calejadas reaprendendo a rotina, o corpo se ajustando ao ritmo da terra. Não há pressa nele. Não há ordens. Só presença. E isso me confunde mais do que qualquer discurso. Às vezes, quando estamos lado a lado no curral, o silêncio pesa. Outras vezes, ele é confortável demais. Conversamos pouco, mas quando falamos, é sobre coisas pequenas: o clima, os animais, uma conta que chegou, uma ideia vaga para o futuro hotel — sempre com cuidado, sempre d
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