Acordei com uma sensação estranha no peito, como se algo estivesse fora do lugar. A vela já tinha se apagado há horas, e a casa estava mergulhada num silêncio profundo, quebrado apenas pelo som distante da chuva, agora mais fraca, cansada. Virei o rosto devagar e foi então que o vi. Thomas estava ali. Deitado na cama, coberto até a cintura, o corpo pesado demais, imóvel demais. Por um segundo, fiquei apenas observando, tentando entender em que momento ele tinha vindo parar ali — ou se eu mesma o tinha levado, no automático, guiada por um cuidado que meu coração insistia em ter. Estendi a mão com hesitação. Toquei seu braço. Minha pele encontrou fogo. — Thomas… — murmurei, sentando-me de imediato. Passei a mão por sua testa e confirmei o que meu corpo já tinha entendido antes da mente aceitar. Ele estava queimando em febre. A respiração era irregular, pesada, e um vinco de desconforto marcava suas sobrancelhas mesmo dormindo. Meu coração apertou. — Droga… — sussurrei para mim
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