O silêncio do pós-caos era a coisa mais próxima de paz que eu já tinha sentido. Helena dormia pesadamente, com o rosto escondido na curva do meu pescoço, e por um momento, eu me permiti baixar a guarda. Mas no morro, a paz é uma ilusão que dura pouco. O estalo da porta da frente não foi alto, mas para um homem que dorme com um olho no gatilho, soou como um tiro. Eu ia me levantar, mas a porta do quarto foi escancarada antes que eu pudesse alcançar a pistola no criado-mudo. — MAS QUE PORRA É ESSA?! — O grito de Vanessa rasgou o ar, carregado de um veneno que eu conhecia bem. - EU SABIA!! VOCÊ É UMA VADIA!!! Helena deu um pulo, puxando o lençol contra o corpo, os olhos arregalados de susto. Eu me sentei, a mandíbula travada, encarando Vanessa. Ela estava parada na soleira, o rosto deformado pela fúria, as mãos tremendo de puro ódio. — Sai daqui, Vanessa — minha voz saiu gélida, um aviso que qualquer um com juízo respeitaria. — Sair? Da sua casa, Arthur? — Ela deu uma risada hist
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