Vitória demorou alguns segundos para perceber que estava acordando. No início, não foi exatamente consciência. Foi apenas uma sensação incômoda — o cheiro forte de antisséptico invadindo seu nariz, limpo demais, artificial demais, como se o próprio ar tivesse sido filtrado inúmeras vezes antes de chegar até ela. Aquela mistura fria de hospital parecia grudar na respiração, pesada, estéril, estranhamente opressiva. Seu corpo ainda estava lento quando abriu os olhos, e a luz branca do teto a obrigou a piscar várias vezes. Tudo parecia distante por um instante. Desfocado. Como se o mundo estivesse alguns centímetros fora do lugar. Ela permaneceu imóvel por alguns segundos, tentando organizar o próprio pensamento, mas as lembranças começaram a surgir antes que conseguisse se preparar para elas. Primeiro vieram fragmentos desconexos — o carro em movimento, o silêncio pesado no banco de trás, a cabeça de Sofia inclinada demais para o lado. Depois o resto veio de uma vez, atravessando su
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