Vitória mal lembrava do caminho de volta para casa. As mãos estavam firmes no volante, os olhos atentos à estrada, mas sua mente estava completamente distante dali. A conversa ainda ecoava inteira em sua cabeça. A revelação sobre a empresa, o modo calculado com que Gustavo explicava cada coisa, como se estivesse apenas organizando peças antes de um movimento final. Na voz dele não havia dúvida. Nem hesitação. Como se tudo já estivesse decidido havia muito tempo. E talvez fosse exatamente isso que mais a incomodava. A sensação de que, enquanto ela ainda tentava entender o que estava acontecendo à sua volta, o pai já tinha desenhado cada passo muito antes. Quando percebeu, já estava estacionando o carro na garagem de casa. O motor desligou e, por alguns segundos, ela permaneceu ali, parada, olhando para o volante como se ainda estivesse tentando voltar para si mesma. O silêncio dentro do carro parecia estranho, quase opressor, mas Vitória apenas respirou fundo antes de finalmente
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