Vitória entrou no quarto ainda tentando manter algum controle sobre o que estava sentindo, mas bastou fechar a porta para que tudo dentro dela começasse a se misturar de forma confusa demais para ser ignorada. Raiva, incredulidade, orgulho ferido, e algo muito pior do que qualquer um desses sentimentos: a sensação amarga de ter sido profundamente enganada. Ela caminhou direto até o closet e puxou uma das malas grandes que ficavam guardadas na parte inferior do armário. Abriu o zíper com um movimento seco e começou a pegar algumas roupas. No começo os movimentos eram rápidos, quase mecânicos, como se ela estivesse tentando ocupar as mãos para não precisar organizar os pensamentos. Mas a cada peça dobrada, a cada lembrança que surgia sem ser convidada, o peso no peito aumentava. As conversas que teve com Rafael nos últimos meses, os momentos em que ele parecia realmente interessado em entendê-la, os pequenos gestos que haviam feito ela acreditar que, talvez, as coisas entre os dois fin
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