Vitória acordou mais tarde do que costumava. O corpo ainda sentia o peso da madrugada, do frio da praia, das decisões tomadas sem planejamento. Por alguns segundos ficou olhando para o teto, tentando organizar os pensamentos, até que percebeu algo diferente. Risos. Não eram discretos. Eram altos, soltos, infantis. Ela se sentou na cama, estranhando aquela energia dentro da própria casa. Lavou o rosto rapidamente e desceu as escadas ainda em silêncio, seguindo o som que vinha da sala de jantar. Ao se aproximar, diminuiu o passo. Encostou-se à parede, observando antes de entrar. Rafael estava sentado à mesa com Antônio, o bebê de sete meses, apoiado em um dos braços. Com a outra mão, tentava equilibrar uma colher de mingau enquanto Gustavo, de cinco anos, ria e desviava o rosto teatralmente. Talles, o irmão mais velho, de oito, fazia comentários sérios demais para a idade, dizendo que o irmão precisava “colaborar”. — Se você não abrir a boca, eu vou comer — Rafael ameaçou, fingin
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