Vitória voltou para casa no meio da tarde. O ambiente parecia diferente. Não leve, não feliz — apenas menos hostil. Como se a casa tivesse aprendido a pisar em ovos depois do que acontecera. Subiu para o quarto e tomou um banho demorado. Ficou alguns minutos parada sob a água, os olhos fechados, tentando não pensar em nada. Depois, vestiu uma calça leve, de tecido macio, uma blusa simples e deixou o cabelo solto. A maquiagem era discreta, sem a necessidade de cobrir o leve hematoma no canto da boca — com os avós, ela podia ser quem era. Nada elaborado. Nada pensado para agradar. Quando desceu, encontrou os avós prontos para sair. O avô sorriu ao vê-la. — Assim está melhor — comentou. — Parece você. Vitória sorriu de volta. Saíram sem pressa. Caminharam pelo centro, entraram em uma livraria pequena, sentaram-se em um café antigo. Vitória riu mais do que esperava. Riu de coisas bobas, de comentários do avô, de lembranças repetidas. Riu até os olhos quase desaparecerem, o rosto i
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