A porta do escritório de Arnaldo Cavalcanti fechou-se com um baque surdo, um som que, para Helena, ressoou como o fechamento de uma cela de luxo. O ambiente estava impregnado com o cheiro de tabaco antigo e a autoridade que emanava das estantes repletas de códigos jurídicos. O Desembargador não se levantou. Ele permaneceu sentado atrás de sua imensa mesa de mogno, uma silhueta de poder esculpida pelas sombras das luminárias de bronze. Helena entrou com sua habitual arrogância, os saltos estalando no mármore, mas a postura do pai a fez hesitar antes mesmo da primeira palavra ser dita.Arnaldo não ofereceu preliminares. Ele colocou sobre a mesa o dispositivo que Mariana e Vicente haviam entregado. A voz dele, quando saiu, era um fio de aço gelado, desprovida de qualquer calor paternal. Ele narrou, ponto a ponto, a extensão da traição dela: os desvios no Porto, a promiscuidade financeira com Vicente Rocha e, o pior de tudo, a vulnerabilidade que ela criara para a família ao permitir que
Leer más