O ambiente da delegacia era um mosaico de luzes fluorescentes piscando, o cheiro de café requentado e o som metálico de máquinas de escrever e teclados que pareciam martelar diretamente nas têmporas de Mariana. Ela estava sentada em uma cadeira de metal frio, os olhos inchados, o vestido azul ainda manchado com o sangue seco de Lucas — uma prova escarlate que ninguém parecia querer ver. Ela chorava convulsivamente, não apenas pela dor, mas pela indignação que subia por sua garganta como bile.Sempre que um investigador se aproximava para colher os dados preliminares, Mariana repetia a mesma frase, como um mantra de justiça: "Foi Helena Cavalcanti. Ela entrou no apartamento, ela estava armada, ela atirou para me matar e o Lucas se jogou na frente. Prendam aquela mulher!".No entanto, o escrivão mal olhava para ela, preenchendo os campos do formulário com uma lentidão burocrática proposital. No topo da folha, Mariana conseguiu ler, de relance, a tipificação do crime que estava sendo red
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