A CLÁUSULA DE RESIDÊNCIA O zíper da jaqueta ficou espetado na minha bochecha a noite inteira. O colchão era de solteiro e eu ainda estava com a roupa do dia anterior no corpo — prova concreta de que ontem tinha acontecido mesmo. Celular na mão. Lista de notificações do tamanho do meu braço. Trinta e dois. Eu tinha contado três vezes, ligações perdidas. Nenhuma do Vincent. A Elara chegou, ouvi pelo barulho dos pincéis caindo. Ela me deixou dormir no ateliê sem me fazer uma única pergunta, quando eu pedi a chave pra ela na mansão com a cara amassada e uma mala preta na mão. Verifiquei a tela do celular de novo só pra confirmar. Confirmei. O advogado do meu pai, uma jornalista que eu não sabia que tinha meu número, a Elara três vezes entre meia-noite e uma da manhã. Bloqueei a tela e joguei o aparelho de volta no colchão. O ateliê da Elara tinha aquele caos organizado de quem sabe exatamente onde cada coisa está, mas nunca conserta a aparência. Telas encostadas na parede em pilhas
Leer más