O sol da manhã entra pela sala de jantar com uma insistência que chega a incomodar. Depois de meses vivendo em alerta, o sono de ontem à noite foi tipo uma morte temporária, de tão pesado. Eu dormi o dia todo no escritório, e dormi a noite inteira depois do banho, como se meu corpo tivesse finalmente ficado sem combustível de guerra, e acabado desligando.E ainda estou cansada.O calor insuportável do cio sumiu. A agitação, aquele latejar constante que me fazia querer arrancar até a minha pele, deu lugar a um esgotamento total. Talvez o corpo da fêmea só entenda o sossego quando recebe o que precisa, e quando a essência dele preencheu o meu vazio, o incêndio apagou.Desço para o café e encontro a mesa posta. Selina está de volta, andando de um lado para o outro, mas sinto os olhos dela em mim cada vez que viro o rosto.— Bom dia, menina. Dormiu bem? — ela pergunta, e seu tom, entre a curiosidade e uma animação constrangedora, me faz ficar encarando a xícara de café.— Sim. — Sorrio r
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