Matteo ManciniO quarto está em silêncio.Não o silêncio vazio da mansão durante o dia, mas aquele silêncio pesado da madrugada — quando até os homens armados parecem prender a respiração. As paredes são grossas. As cortinas, fechadas. Nenhuma fresta de luz. Nenhuma concessão ao mundo.Este é o meu quarto.Meu território.O lugar onde ninguém entra sem permissão.E Giulia está aqui.Ela está parada perto da cama, como se ainda estivesse decidindo se aquele espaço realmente lhe pertence. Usa uma camisa simples, nada que combine com o peso do que está prestes a acontecer. O cabelo solto cai pelos ombros, denunciando nervosismo apesar da postura firme.Ela finge calma.Mas eu conheço o corpo humano demais para ser enganado.— Ainda dá tempo — digo, baixo, sem me mover. — Você pode voltar para o seu quarto.Ela não responde de imediato. Inspira fundo. Depois, levanta o olhar para mim.— Se eu sair agora… — começa, a voz controlada demais — …vou continuar fugindo de algo que já me alcanço
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