Giulia MorettiPasso por ele sem pedir licença.Não corro. Não baixo a cabeça. Não peço desculpas. Cada passo até a escada exige mais força do que eu gostaria de admitir, mas não paro. Sinto o peso do olhar de Matteo nas minhas costas como se fosse uma mão invisível tentando me puxar de volta. Não cedo.Quando fecho a porta do quarto atrás de mim, o mundo finalmente desaba.As pernas falham. Preciso me apoiar na madeira para não cair. As mãos tremem, incontroláveis, e o ar entra aos solavancos, curto, insuficiente. Levo alguns segundos para entender que estou chorando. Não é um choro alto. Não é dramático. São lágrimas silenciosas, quentes, traidoras, que escorrem sem pedir permissão.Sento na beira da cama, o rosto enterrado nas mãos.Não chorei por Alessandra.Chorei porque senti ciúmes.Porque doeu.Porque, por um instante terrível, uma parte de mim quis atravessar aquela sala, arrancá-la dali, marcar território, gritar que ele era meu — mesmo sabendo o quão errado, perigoso e inj
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