O silêncio que se seguiu foi absoluto, uma câmara de vácuo onde apenas o som do meu próprio sangue, um trovão surdo nos ouvidos, persistia. Dante permaneceu imóvel, de costas para mim, por uma eternidade esculpida em gelo. Quando ele finalmente se virou, seu rosto não ostentava raiva ou negação. Era uma paisagem de frio tão absoluto que fez a temperatura do bunker despencar. Ele caminhou de volta até mim, cada passo calculado, uma fera contida, até que a ponta de seus sapatos de couro liso quase roçou o gesso grosseiro do meu pé. Inclinando-se, ele colocou as mãos nos braços do sofá, sua aliança de ouro reluzindo sob a luz artificial. Ele não me tocou, mas me enjaulou perfeitamente dentro da moldura de seu corpo. Seu olhar era uma prisão de aço. — Não. — A palavra saiu clara, uma lâmina afiada, sem hesitação ou sombra de dúvida. — Na cabine, eu me aproximei porque você era a única coisa real naquele circo de sombras. Você cheirava a suor honesto e cansaço mortal, não a perfume caro e
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