Ela está ali.Minha mãe.Sentada na beira de um barraco de madeira podre, com roupas rasgadas e cabelos embaraçados. Seus olhos verdes — meus olhos — me encaram com uma mistura de incredulidade, medo e uma esperança tão frágil que dói.Ela não consegue falar.Tentou. Eu vi. A boca se abriu, os lábios se moveram, mas nenhum som saiu. Apenas um ruído rouco, abafado, como se as palavras tivessem morrido dentro dela há muito tempo.Dante está ao meu lado, silencioso, respeitando o momento. Seus olhos percorrem a cena, avaliando, calculando — não por frieza, mas por cuidado. Ele já está pensando nos próximos passos.— Dante, — sussurro, sem tirar os olhos da minha mãe. — O que a gente faz?Ele se aproxima, coloca a mão nas minhas costas.— Pelo estado dela, não vai aguentar uma viagem longa de carro. Precisamos encontrar um hospital por perto.— Mãe? — Ajoelho-me na frente dela. — Mãe, tem algum hospital aqui perto? A senhora consegue me mostrar?Ela me olha. Seus olhos se enchem de lágrim
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