Eu percebi que tinha mexido em algo irreversível no momento em que ele ficou em silêncio, mas não foi um silêncio comum, não foi pausa para organizar resposta ou medir palavras, foi aquele tipo de silêncio que antecede impacto, em que o corpo inteiro parece recalcular antes de decidir qual versão de si mesmo vai aparecer. Matteo não se moveu de imediato quando terminei de falar. Ele permaneceu parado atrás da mesa do escritório, as mangas da camisa já arregaçadas, as tatuagens subindo pelo antebraço como se o próprio músculo estivesse mais tenso do que o normal, o curativo no ombro escondido sob o tecido mas a rigidez denunciando que ainda doía. Ele não parecia ferido, parecia contido, e contenção nele sempre foi mais perigosa do que explosão, porque explosão é barulho e contenção é escolha. Ele contornou a mesa devagar, não porque estivesse calmo, mas porque estava escolhendo onde colocar cada palavra antes de atravessar o espaço entre nós. O olhar não saiu do meu rosto, não piscou,
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