O trajeto de volta foi silencioso, mas não de um jeito confortável, não daquele silêncio que surge quando já não há nada por dizer, era um silêncio mais pesado, mais cheio, como se o carro estivesse carregando tudo aquilo que nós dois estávamos evitando verbalizar e que, ainda assim, ocupava espaço entre nós, pressionando, preenchendo cada intervalo entre um movimento e outro, entre uma respiração e a seguinte. Matteo não olhou para mim uma única vez durante todo o caminho, manteve o corpo inclinado para trás, o braço apoiado, os dedos imóveis, o olhar preso na escuridão lá fora como se aquilo fosse mais seguro do que qualquer coisa dentro daquele carro, como se não olhar para mim fosse uma escolha consciente, não uma distração. Eu também não falei, mas não consegui parar de pensar, porque o silêncio dele não me deixava espaço para desligar, apenas para preencher. Pensei na Marina, no choro contido, na forma como ela olhou para a porta antes de dizer qualquer coisa, como se estives
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