Alguns dias tinham passado desde o funeral que eu não fui. A casa continuava enorme demais, silenciosa demais, e Matteo continuava distante demais, como se o mundo dele tivesse se fechado em camadas que eu não podia atravessar. Eu quase não o via durante o dia. Quando o via, estava cercado de homens, mapas, vozes baixas, decisões que cheiravam a pólvora mesmo quando eram tomadas em salas climatizadas. Mas naquela noite ele voltou mais cedo. Eu estava no quarto, sentada na beira da cama, o livro de anotações aberto no colo, embora eu não estivesse escrevendo nada. Só rabiscando linhas sem sentido, tentando não pensar no fato de que, enquanto eu organizava histórias para crianças imaginárias, ele reorganizava territórios reais. A porta abriu sem aviso. Ele entrou já tirando o paletó, a expressão diferente. Havia algo mais leve no rosto dele. Não feliz. Matteo nunca parecia feliz. Mas satisfeito. Controlado. Como alguém que tinha conseguido algo. Fechou a porta atrás de si e me olh
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