Ela percebeu. Não pelo que eu disse. Mas pelo que mudou. Foi sutil, quase imperceptível, mas suficiente para alguém como ela, que sempre observou demais quando se tratava de mim, entender exatamente onde tinha tocado. O olhar dela suavizou, a postura perdeu parte da rigidez, e, pela primeira vez desde que a conversa tinha começado, a impulsividade deu lugar a algo mais calculado, mais… conhecido. — Eu não queria ter falado aquilo… — disse, a voz mais baixa, mais cuidadosa, enquanto se aproximava devagar — eu sei que não devia. Não respondi. Ela deu mais um passo, encurtando o espaço entre nós, e então segurou minha mão com delicadeza, os dedos se encaixando com um certo cuidado, como sempre fazia quando queria amenizar qualquer situação. — Me desculpa — continuou, inclinando levemente o rosto, o olhar mais suave, quase implorando — eu não quis trazer o passado de volta. O tom era o mesmo de sempre. Doce. Maleável. — Eu entendo… — acrescentou, ainda me olhand
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