A tarde caiu lenta.
Como se o tempo tivesse decidido me observar.
Eu estava sentada à mesa do quarto, com o papel à minha frente e a caneta entre os dedos, girando devagar. A luz que entrava pela janela era suave, mas não ajudava em nada. Só deixava tudo mais sufocante.
Olhei para o papel.
Branco.
Intacto.
Esperando.
Como se fosse simples.
Como se bastasse escrever “obrigada” e acabar com aquilo.
Soltei o ar pelo nariz, apoiando o cotovelo na mesa e passando a mão pelo rosto, tentando