Julian Cedric O aroma de pão recém-assado sempre foi, para mim, o cheiro da verdade. Minha mãe não sabe mentir e, por consequência, a cozinha dela também não. Quando ela tirou as assadeiras do forno, o vapor subiu, dourado e quente, e ela me olhou com aquela precisão cirúrgica de quem não precisa de facas para dissecar uma alma.— O que você e essa moça têm, Julian? — perguntou, enquanto dispunha os pães sobre a grade de metal. Não houve rodeios, não houve preliminares.Eu limpei as mãos no avental, sentindo o peso daquela pergunta. A verdade é que, a essa altura, eu já não sabia mais onde terminava a minha vontade e onde começava a dela. Éramos uma mistura de urgência e paciência, um cozido que precisa de fogo brando para não queimar.— Ainda não colocamos em palavras, mãe — respondi, tentando manter a voz neutra.Ela negou com a cabeça, um gesto seco, enquanto batia um pano de prato na bancada, levantando uma nuvem de farinha.— Você não aprendeu a lição com aquela mulher, não foi
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