A paz não quebrou.Mas ecoou.Na quarta-feira, Maya acordou com uma sensação diferente — não de ameaça, mas de memória. Era como se o corpo lembrasse que estabilidade não significa esquecimento. Algumas coisas continuam existindo mesmo quando deixam de comandar.Ela ficou alguns segundos sentada na beira da cama, ouvindo a casa ainda silenciosa. Orion respirava pesado ao lado, Enzo ainda dormia. Tudo parecia intacto.Mas havia algo no ar.Não externo.Interno.Desceu para a cozinha e começou a preparar o café. Movimentos simples, repetidos. A chaleira no fogo, as xícaras alinhadas, o cheiro do pó se espalhando. Ela gostava da previsibilidade dessas pequenas ações. Eram âncoras.Quando Orion entrou, percebeu na hora.— Você está pensando demais — disse.Maya ergueu os olhos, surpresa leve.— Eu estou quieta — respondeu.— É diferente — ele disse, aproximando-se.Ela respirou fundo.— Não é nada acontecendo — explicou. — É só… o eco do que foi.Ele apoiou as mãos na bancada.— Quer fala
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