LunaQuando acordei de vez, a primeira coisa que reconheci foi a presença familiar.Não precisei olhar para saber que meus pais estavam ali. O jeito como minha mãe ajeitava o lençol com cuidado excessivo, a respiração calma do meu pai sentado perto da cama, o silêncio atento do Rafael encostado na parede, como se qualquer movimento brusco pudesse me quebrar outra vez.Abri os olhos devagar.— Oi — murmurei.Minha mãe sorriu, com os olhos marejados, antes de falar:— Oi, meu amor.Marco estava ali também.Sentado ao meu lado, inclinado para frente, as mãos unidas, os olhos fixos em mim, como se estivesse conferindo, em tempo real, se eu continuava existindo. Quando nossos olhares se encontraram, algo nele relaxou, mínimo, mas visível.— Você assustou todo mundo — ela disse, baixo.— Eu sei — respondi. — Desculpa.— Não pede desculpa — meu pai disse, firme.— Você caiu porque alguém não soube respeitar limites.Respirei fundo.As lembranças ainda vinham em flashes curtos: o barulho da o
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