MarcoVoltei para casa mais tarde do que o normal.Não porque o trabalho tivesse se estendido, mas porque eu precisei andar um pouco antes de atravessar aquela porta. Algumas decisões não se tomam em movimento, exigem ar, silêncio, um espaço interno que não se conquista correndo. Caminhei sem rumo por algumas quadras, sentindo o frio da noite, organizando pensamentos que, pela primeira vez, não estavam em guerra entre si.Quando entrei, a casa estava baixa de luz.Aquele tipo de iluminação que não espera ninguém, mas acolhe quem chega.Luna estava no sofá, as pernas dobradas sob o corpo, usando um vestido simples demais para o efeito que causava, o tecido caindo solto sobre as coxas, o cabelo solto, um livro aberto nas mãos que claramente não estava sendo lido. Ela levantou o olhar quando me ouviu e sorriu daquele jeito que não pergunta nada, mas entende tudo.— Você demorou — disse, sem cobrança.— Eu sei — respondi, largando o paletó. — Precisei… esvaziar a cabeça.Ela se levantou d
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