Capítulo 38: O Último Reduto (Miguel / Ricardo)O ar na sala de guerra, no subsolo do casarão do morro, estava saturado de fumaça de cigarro e o zumbido eletrônico dos servidores do Puto. Eu observava o mapa digital projetado na parede. Um ponto vermelho piscava no Recreio dos Bandeirantes, em uma mansão de arquitetura brutalista que pertencia a um bicheiro morto. Ricardo achava que estava escondido, mas em um mundo de conexões digitais, o medo deixa rastros mais profundos que pegadas na lama.— Ele está lá, Pai — disse o Puto, ajustando os óculos. — O sinal do satélite confirmou três seguranças no perímetro externo e dois dentro. A milícia dele o abandonou, mas esses cinco são os que ele pagou com o que restou do dinheiro vivo nos cofres.Eu não respondi de imediato. Apenas verifiquei o carregador do meu fuzil, sentindo o peso familiar da arma. O ódio por Ricardo não era mais aquela chama descontrolada que me fazia gritar. Agora, era um gelo sólido, uma determinação fria que guiava c
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