Capítulo 25: O Peso da Verdade (Ágata)O silêncio na casa de Miguel era mais pesado que o rugido de qualquer fuzil. Não era um silêncio de paz, mas de espera. De um lado, o morro ainda ressoava com os ecos da batalha da madrugada; do outro, meu coração batia com a promessa daquele beijo, e agora, com a frieza que Miguel me dedicou pela manhã. A sensação era de estar sob um microscópio, analisada por um homem que eu não conseguia decifrar completamente. Ele me via como um território, mas me tratava como uma peça de xadrez que podia ser sacrificada ou protegida, mas nunca compreendida.Na cozinha, o café que MT trouxe estava intocado. Eu ousei tocar a borda da xícara, e meus dedos encontraram o metal frio, assim como o olhar de Miguel. Minha mente fervilhava. "Coisas sem pensar", ele disse. Aquilo me irritou mais do que qualquer tapa de Ricardo. Miguel estava usando a própria brutalidade do mundo dele para se proteger de algo que, para mim, era a única coisa real que havia acontecido em
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