O som dos sinos da capela começava a repicar, mas dentro daquele pequeno gabinete, o tempo parecia ter parado. Heitor estava de pé, ajustando as abotoaduras, e Julian estava perto da janela, com sua câmera pendurada, observando o jardim. Eu respirei fundo, sentindo o espartilho apertar, mas o que realmente me sufocava era a verdade.— Heitor, Julian... por favor, olhem para mim — minha voz saiu trêmula, mas urgente.Os dois se viraram instantaneamente. O olhar de Heitor era de preocupação; o de Julian, de uma ternura infinita.— Eu não posso caminhar até aquele altar com uma mentira no peito — comecei, sentindo as lágrimas arderem. — Vocês acham que estou fazendo isso apenas por lealdade ou por um plano estratégico. Mas a verdade é que meu coração não pertence mais a mim. Ele se partiu e se reconstruiu em dois pedaços.Dei um passo em direção ao centro da sala, ficando entre os dois.— Eu estou apaixonada por você, Heitor Guimarães. Pelo homem nobre e sensível que você é por baixo des
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