Laura saiu deixando o silêncio como rastro, a porta ainda parecia vibrar quando Helena deixou o corpo ceder. Sentou-se no sofá sem perceber o movimento, as mãos vazias sobre o colo, o olhar perdido em algum ponto entre o medo e a decisão. O coração batia irregular, como se não soubesse mais qual ritmo seguir. Ela tinha sido ameaçada, diminuída, apagada e, ainda assim, o que mais doía não era o que Laura prometera fazer com ela — era o que já estava fazendo com Sofia.Helena levou as mãos ao rosto e respirou fundo, sentindo as lágrimas descerem sem resistência. Havia um tipo de choro que não pedia consolo, apenas passagem. Quando cessou, algo se organizou dentro dela. Não era calma, era propósito.— Eu não vou deixar! — murmurou — Não desse jeito.Pegou a bolsa, as chaves, o celular. Não avisou ninguém, não pediu permissão. O amor, quando vira instinto, não espera.No trajeto até o prédio, cada semáforo parecia uma afronta. Helena sentia o estômago embrulhado, a mente em repetição cons
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