Laura não chorou quando soube, não gritou, não quebrou nada. A fúria dela era de outro tipo — silenciosa, organizada, perigosa.A confirmação chegou por uma mensagem curta, quase casual, de alguém que ela conhecia bem demais para ignorar. Uma foto discreta. Arthur e Helena atravessando a rua de mãos dadas, Sofia alguns passos à frente, rindo de algo que Helena dizia. FAMÍLIA. A palavra atravessou Laura como um insulto. Ela encarou a tela por longos segundos antes de desligar o telefone. Depois foi até a janela do apartamento impecável, onde nada estava fora do lugar. Tudo ali era controle, estética, aparência e, ainda assim, algo tinha escapado.— Ele teve coragem… — murmurou, mais para si do que para o ambiente vazio.Não era apenas o envolvimento, Arthur sempre fora previsível em suas falhas emocionais. O que a tirava do eixo era Helena, a naturalidade, o lugar que ela ocupava sem pedir licença. A forma como Sofia se encaixava nela como se sempre tivesse pertencido ali. Laura aperto
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