Helena voltou devagar. Exames foram feitos com cuidado, luz nos olhos, pressão, oxigenação, sinais vitais que, contra todas as probabilidades, cooperavam.— Ela está reagindo muito bem! — alguém comentou atrás dela — Vamos extubar.O processo foi rápido, ainda que desconfortável. Uma sensação estranha, quase sufocante por segundos, seguida de um alívio bruto quando o ar voltou a entrar sem obstáculos.Helena tossiu, fraca.— Calma. — disseram — Devagar.Ela respirou, uma, duas vezes. Estava viva. A constatação não veio como alegria imediata, veio como espanto.Horas depois, já fora da UTI, o quarto parecia silencioso demais. Claro demais, real demais. O lençol limpo, o cheiro de antisséptico, o bip distante de outros monitores lembravam que aquilo não tinha sido um sonho. Ela levou a mão ao lado do corpo sentindo o curativo. Tudo voltou de uma vez.Sofia, o peso pequeno no colo, a porta de vidro, o som seco, o impacto e a escuridão.Helena fechou os olhos, respirando fundo para conter
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