POR ARTHUR.Eu reconheceria Isabella em qualquer lugar, não importa quantos anos passem, não importa a distância construída entre nós. Há algo nos Monteiro que não se disfarça — postura, silêncio, o modo como observamos antes de agir.Quando a vi do outro lado da rua, parada com aquela elegância calculada, não senti surpresa, senti confirmação. Ela tinha voltado, não oficialmente, não com anúncio, mas voltou.Sofia foi a primeira a notar, claro que foi, minha filha tem uma percepção que me inquieta às vezes. Ela diminuiu o passo, como se o corpo tivesse entendido antes da mente que algo diferente estava ali. Segui o olhar dela e lá estava Isabella, imóvel, atenta. Não parecia casual, Isabella nunca é casual, por um segundo — apenas um — voltamos a ser crianças.Eu no alto da escada da antiga mansão e ela no jardim, braços cruzados, avaliando cada movimento meu como se estivéssemos numa competição silenciosa. Sempre fomos assim, unidos, rivais, cúmplices, adversários, tudo ao mesmo tem
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