A dor que se espalha por todos os cantos. Enquanto isso, no último andar da Gouveia Infra & Energia, o dia começava pesado, como se o próprio ar tivesse acordado cansado. Célia caminhava pelo quarto com Sophie nos braços, sentindo o corpo pequeno estremecer a cada soluço. A bebê havia despertado chorando, um choro fino, insistente, que não parecia apenas fome ou sono. Era um som que carregava falta. Célia conhecia crianças, havia cuidado de muitas ao longo da vida, e aquele choro não era comum. Era procura.— Calma, meu solzinho, a vovó está aqui. Disse em voz baixa, embalando devagar.O quarto ainda guardava o cheiro suave de sabonete infantil e leite. A rotina de Serena parecia impregnada nos objetos, na forma como a manta estava dobrada, no cantinho da poltrona onde ela costumava sentar para amamentar. Célia sentiu o peito apertar. Era impossível não pensar nela.Levou Sophie para o banho, tentando repetir cada gesto que havia observado durante meses. A água morna escorria pelo co
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