Quando o deserto deixa de ser vazio.A sala de reuniões do Sheik Khalid Al-Fayed esbanjava luxo, um edifício de vidro que refletia o sol como uma lâmina. Do chão ao teto, telas negras aguardavam acesas, prontas para se tornarem mundo. Caetano estava de frente ao homem sentindo o ar gelado contra a pele quente do deserto e, por um instante, teve a sensação de ter atravessado um portal. Do lado de fora, só areia. Do lado de dentro, promessas.O sheik estava de pé diante da parede vazia, mãos cruzadas nas costas, túnica clara contrastando com o mármore escuro do piso. Havia nos olhos dele uma curiosidade infantil e perigosa ao mesmo tempo, como a de um homem que gosta de ver coisas nascerem grandes.— Eu esperava uma cidade. Al-Fayed disse, antes mesmo de se sentarem, com um sorriso lento. Algo organizado, bonito, simbólico.Ele virou o rosto para Caetano.— Mas você me trouxe… uma metrópole.A tela acendeu. O deserto se abriu em círculos de luz. Núcleo solar. Distritos. Torres curvas.
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