• LOURENZO •Eu sempre me orgulhei do meu controlo. Passei décadas a treinar o meu rosto para não vacilar perante crises financeiras, traições de sócios ou a frieza cortante do meu pai. Mas, naquele momento, enquanto eu guiava o carro pelas ruas de Lisboa, o meu controlo era uma ilusão barata. As minhas mãos, que tinham assinado contratos de milhões sem tremer, estavam agora coladas ao volante, suadas e instáveis.Ao meu lado, a Lya arquejava. Cada vez que ela soltava um gemido abafado, o meu coração batia contra as costelas como um animal encurralado. Eu teria dado toda a minha fortuna, toda a Villar Studio e cada centímetro do império que recuperei, apenas para poder transferir aquela dor para o meu próprio corpo.— Já estamos a chegar, Lya. Aguenta, meu amor — a minha voz saiu estranha, mais aguda do que o normal.Assim que parámos na entrada das urgências, o mundo tornou-se um borrão de luzes fluorescentes e ordens médicas. Tentei manter a postura de comando q
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