17. Ele estava começando a sentir
Depois do jantar, já mais tarde, o céu mudou de humor.O vento começou a soprar com força, sacudindo as árvores do jardim como se quisesse arrancá-las do chão. Em seguida, o trovão rasgou o silêncio da noite, fazendo as janelas vibrarem. A chuva veio pesada, grossa, insistente. Um temporal daqueles que não pede licença — invade.Não demorou para o medo aparecer.As crianças estremeceram ao som do primeiro estrondo mais forte. O choro veio contido, inseguro, como se tentassem ser corajosas, mas não soubessem exatamente como. Dianna percebeu de imediato. Sempre percebia.— Está tudo bem — disse, ajoelhando-se diante deles. — É só a chuva conversando com o céu.Mesmo assim, os olhos denunciavam o pavor.Ela os levou para o quarto, com calma, como quem conduz algo frágil demais para ser apressado. Ajudou-os a vestir os pijamas, falou baixinho, manteve o tom firme e doce ao mesmo tempo. Quando os acomodou na cama, cobriu primeiro a menina, ajeitando o cobertor com cuidado extra, como se qu
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