A casa de Miguel não era grande, mas tinha algo que eu não sentia havia meses: respiro. O portão fechou atrás do carro e, por um instante, fiquei ali sentada, as mãos no colo, como se meu corpo ainda esperasse algum tipo de impacto. Miguel desligou o motor e me olhou, avaliando meu estado sem dizer nada. — Entra — disse, por fim. — Aqui você pode baixar a guarda. Obedeci sem discutir. O corredor era simples, cheiro de café antigo no ar, móveis que carregavam mais funcionalidade do que estética. Nada ali gritava conforto, mas tudo parecia seguro. E, naquele momento, segurança era o que importava. — Você pode ficar no quarto — disse ele. — Eu fico no sofá. — Não precisa — respondi, rápido demais. — Não quero criar mais problemas. Ele me encarou, sério. — Você não é o problema. As palavras ficaram ali, suspensas. Não retruquei. Estava cansada demais para negar algo que, no fundo, eu começava a aceitar. O ba
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