Dessa vez, não houve espaço para dúvida.A médica disse em voz alta.E quando uma coisa é dita em voz alta, ela deixa de ser rumor, deixa de ser medo, deixa de ser hipótese — e passa a ser realidade.Eu estava sentada na maca, os pés balançando levemente, enquanto Miguel permanecia ao meu lado, atento a cada movimento meu, a cada respiração diferente.A médica entrou com a prancheta nas mãos e um olhar sereno demais para o caos que vivia dentro de mim.— Repetimos os exames — disse ela, sentando-se à minha frente. — Agora os resultados são claros.Meu coração disparou.Miguel segurou minha mão.— Você está grávida — afirmou a médica, com naturalidade clínica, como se estivesse dizendo algo simples.A palavra ecoou na sala.Grávida.Não era mais boato.Não era mais insinuação.Não era mais medo.Era um fato.Meu corpo reagiu antes da minha mente. Uma onda de calor subiu pelo peito, misturada com vertigem, surpresa e algo mais profundo — algo que eu ainda não conseguia nomear.— Está tu
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