A umidade da Amazônia pesava sobre os ombros de Gabriel como uma armadura de chumbo. Na aldeia oculta de Iara, o tempo parecia ditar suas próprias regras, mas a urgência da realidade externa não tardou a bater à porta. Iara, a pequena "Raiz", permanecia em silêncio desde o ataque dos drones, mas seus olhos, de um castanho tão profundo que pareciam conter séculos de húmus e seiva, estavam fixos no horizonte, na direção de onde o sol se punha: o Planalto Central. — Ela está ouvindo algo — sussurrou Arthur, ajustando seu visor, que agora operava em uma frequência híbrida, sintonizada pela energia de Bia e pela ressonância de Iara. — Não é um som, pai. É como se ela estivesse sentindo uma vibração que atravessa o continente pelo chão. Iara conduziu o grupo até o centro de uma clareira onde uma sumaúma milenar erguia-se como uma catedral viva. Suas raízes tabulares, imensas e sinuosas, estendiam-se por dezenas de metros, mergulhando na terra preta. A men
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