Valentina/Mirtes A mansão cheirava a incerteza. Sem o som da bengala de Paulo e com Beatriz confinada à sala de espera de uma UTI de luxo, a casa mergulhara num vazio ensurdecedor. No meu quarto, o silêncio era absoluto, mas minha mente gritava. Eu sabia, pelas mensagens curtas de Abel no rádio, que as câmeras estavam desligadas. Pela primeira vez, eu não era a espiã, nem a babá frágil; eu era apenas uma mulher movida por uma sede de verdade que superava o medo. Após 24 horas descansando sem a pressão da presença da Beatriz e a arrogância autoritária do Paulo, consegui recuperar minhas forças. Abri a grade do duto no banheiro com movimentos precisos, uma coreografia que meus músculos já haviam decorado. O metal frio contra minha pele era um lembrete da realidade da minha missão, mas o calor que subia pelo meu peito tinha outro nome: Heitor. Deslizei pelas "veias" da casa, como Eduardo chamava, até alcançar a grade acima do escritório dele. Lá embaixo, o ambiente era iluminado apenas
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