O silêncio que se seguiu à saída do restaurante era denso, carregado pela umidade típica das noites paulistanas e pelo peso de tudo o que fora dito — e do muito que fora silenciado — durante o jantar. Helena caminhava em direção à área de vallet, mas antes que pudesse entregar seu ticket, sentiu a mão de Caio envolver seu pulso. Não era um puxão agressivo, mas um toque firme, quente, que carregava uma urgência que ele não conseguira imprimir em suas palavras de sedução barata. Ela parou, a respiração subitamente curta, e virou-se para encará-lo sob a luz amarelada dos postes de ferro fundido.Ali, longe da mesa posta e do teatro corporativo, a máscara de Caio Moretti parecia finalmente ter sofrido uma rachadura real. Seus olhos não buscavam o domínio, mas algo que beirava o desespero de ser compreendido. Por um segundo, Helena viu o menino da biblioteca, o homem que construíra um império para não ser abandonado, e aquela centelha de vulnerabilidade a atingiu com mais força do que qual
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