A sede da Moretti Capital tornou-se, nas semanas seguintes, o epicentro de uma purgação que o mercado financeiro observava com uma mistura de assombro e pavor. Caio Moretti, o homem que sempre fora o arquiteto da expansão agressiva, transformara-se no carrasco de sua própria estrutura. Ele não agendou reuniões; ele executou sentenças. A "Faxina no Poder", como passou a ser chamada nos sussurros dos corredores, começou pelo setor de Operações Especiais e Parcerias Estratégicas. Munido das provas que Helena, ironicamente, o ajudara a enxergar sem saber, Caio sentou-se na cabeceira da mesa de diretoria com a frieza de um juiz que já não busca explicações, apenas o cumprimento da pena.— André, você tem cinco minutos para recolher o que sobrou da sua dignidade e sair deste prédio — disse Caio, a voz destituída do habitual calor da amizade ruidosa. — Suas contas foram congeladas preventivamente para auditoria. Cada nota fiscal fria, cada suborno em Santos e cada manobra criminosa para forj
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