O voo seguiu em um ritmo estranho, como se o tempo tivesse perdido a pressa. As luzes da cabine diminuíram em algum momento, e o silêncio se espalhou aos poucos, quebrado apenas pelo som baixo dos motores. Benjamin dormia pesado agora, o corpo relaxado de um jeito que só crianças conseguem quando finalmente se sentem seguras.Eu tentei dormir também, mas não consegui. Fiquei olhando para frente, depois para o lado, depois para ele. Mark folheava a revista sem realmente ler. Eu percebia pelos olhos, sempre parando na mesma página.Em certo momento, ele fechou a revista e apoiou a cabeça no encosto.— Ainda falta bastante — ele comentou, quase para si mesmo.— Eu sei.— Se quiser descansar um pouco… — ele começou, depois parou.— Tá tudo bem — respondi. — Eu consigo.Ele assentiu. Não insistiu.Algumas horas depois, Benjamin se mexeu, resmungando algo incompreensível. A mão dele procurou a minha no escuro, como se fosse um reflexo. Eu entrelacei meus dedos aos dele antes mesmo de pensar
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