Os dias seguintes escorreram devagar, como se a casa tivesse entrado num ritmo próprio.Nada de grandes acontecimentos. Nada que pudesse ser apontado como problema. Ainda assim, havia uma atenção constante em tudo — nos horários, nos sons, nas pequenas mudanças de humor. Eu me peguei mais alerta do que o normal, como se estivesse sempre esperando algo que não sabia nomear.Benjamin parecia bem. Falava da escola, reclamava do dever de casa, espalhava brinquedos pela sala sem culpa alguma. Às vezes ficava quieto demais, mas voltava rápido ao normal. Crianças faziam isso. Eu repetia isso para mim mesma sempre que começava a pensar demais.Mark continuava chegando tarde em alguns dias e cedo em outros. Quando chegava cansado, não reclamava. Apenas ficava mais silencioso.Não era distância. Era contenção.Numa tarde, eu estava sentada à mesa da cozinha revisando o caderno de Benjamin quando Mark entrou, soltando a gravata.— Ele já fez a lição? — perguntou.— Quase.— Quer ajuda?— Quer? —
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