Acordei com o barulho da porta da cozinha. A luz entrava pelas frestas da cortina, ainda fraca, como se o dia estivesse se espreguiçando também. Fiquei deitada por alguns minutos, ouvindo os passos leves lá fora. Mark, provavelmente. Ou Benjamin, tentando ser discreto.Quando levantei, encontrei os dois na cozinha. Benjamin estava sentado à mesa com um prato de cereais à frente, mas os olhos estavam fixos na janela. Mark preparava café, as costas apoiadas no balcão, o olhar distraído no celular.— Bom dia — falei, e os dois viraram ao mesmo tempo.— Nevou! — Benjamin anunciou, como se tivesse descoberto fogo. — Olha, Hana!Fui até a janela. O quintal estava coberto por uma camada fina e uniforme de neve, ainda intacta, sem marcas de passos. O galho da árvore mais perto da casa segurava um punhado branco na ponta. Parecia cenário de filme, daqueles que passam no fim de ano e a gente assiste sem esperar muito.— Posso sair? — Benjamin já estava quase pulando da cadeira.— Depois do café
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