BellaA luz da manhã infiltrava-se pelas frestas das cortinas de linho, tingindo o quarto com um tom dourado e suave. Por alguns segundos, o silêncio da Serra me permitiu esquecer que éramos fugitivos. Senti o calor de Rafael ao meu lado, sua respiração rítmica contra meu pescoço. Ontem, as palavras "eu te amo" haviam mudado o peso do mundo, mas hoje, a realidade batia à porta com a força de um martelo.Descemos para a cozinha e tomamos café em um silêncio cúmplice. O "Tubarão" havia voltado à superfície; Rafael conferia o relógio e checava mensagens em um dispositivo encriptado.— Joaquim está a caminho com passaportes e uma rota para um país da América do Sul. De lá, cruzamos o oceano — ele disse, a voz firme, mas os olhos carregados de uma preocupação que ele só mostrava a mim. — Bella, é o único jeito. Aqui, seu pai controla as peças. Na Europa, eu controlo o tabuleiro.Caminhei até ele e segurei suas mãos, afastando-as do tablet.— Rafael, olhe para mim. Se fugirmos agora, daremo
Ler mais