BellaO asfalto parecia desaparecer sob os pneus do carro de Rafael em uma velocidade que me deixaria aterrorizada em qualquer outra circunstância. Mas, naquele momento, o terror que vinha de dentro era muito maior do que o medo de um acidente. O som da voz do meu pai no telefone ainda ecoava nos meus ouvidos como o estalo de um chicote. Arthur Andrade, o homem que eu chamava de pai, acabara de declarar guerra aberta, usando a minha liberdade como munição.Rafael dirigia com uma mão firme no volante, enquanto a outra alcançou o meu rosto. Seus dedos, ainda marcados pela adrenalina, limparam as lágrimas que insistiam em escorrer pelas minhas bochechas. O homem vulnerável que chorara na clínica havia sumido. Em seu lugar, o "Tubarão" emergira das profundezas, com olhos frios, calculistas e uma mandíbula tão rígida que parecia esculpida em granito.— Desligue o celular agora, Bella — a voz dele saiu profunda e sem margem para questionamentos. — Se necessário vamos jogar fora, mas desligu
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