Elena RossiQuando a água finalmente deixou de ser abrigo e passou a se tornar tortura, fechei o registro com movimentos lentos, cuidadosos como se qualquer gesto brusco pudesse revelar a mim mesma aquilo que eu estava tentando negar.A água estava fria, cortante até, mas o banheiro parecia incendiar ao meu redor.O calor que pairava no ar, não vinha da água quente, e sim de mim, ou pior: dele. Cada gota que escorria pela minha pele parecia carregar uma lembrança que eu tentei, em vão, empurrar para longe. Tentei… e falhei miseravelmente.Enrolei-me no roupão branco, macio, ainda quente do próprio ambiente. A textura suave contra minha pele, tão sensível e tão desperta, parecia amplificar tudo o que eu tentava controlar
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