Helena percebeu primeiro no silêncio.Não o silêncio emocional pesado dos últimos dias.Outro.Um silêncio mais claro.Como se certas partes da cidade estivessem finalmente respirando sem interferência constante.Ela caminhava cedo pelas ruas ainda úmidas da chuva da madrugada quando sentiu algo estranho:menos pressão.Durante muito tempo, havia uma sensação contínua no ambiente — sutil, difícil de explicar, mas sempre presente. Uma força invisível puxando tudo de volta para sincronização, velocidade e superfície.Agora… em alguns lugares, essa força parecia mais fraca.Não ausente.Mas distante.Ela percebeu isso numa rua pequena cheia de árvores antigas. Pessoas caminhavam devagar, algumas conversando, outras apenas observando o movimento da manhã.E ninguém parecia correndo internamente.Helena parou.Sentiu o próprio corpo desacelerar sem resistência.Aquilo era novo.Antes, mesmo nos momentos de pausa, o fluxo permanecia pressionando invisivelmente por continuidade. Havia sempre
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