Helena percebeu antes nos olhos.
Não nas palavras.
As palavras ainda tentavam manter organização, lógica, continuidade. Mas os olhos começavam a carregar algo que ela não via há muito tempo:
desejo real
Não apenas desejo romântico ou físico.
Desejo no sentido mais profundo.
Vontade.
Impulso genuíno em direção a algo.
Algo que não nasce da adaptação automática, mas de uma força interna difícil de controlar.
Ela percebeu isso numa livraria pequena perto do centro.
Um homem folheava um livro sem r