O depoimento não foi anunciado com antecedência.Não houve chamada especial.Não houve suspense fabricado.Ele simplesmente aconteceu.Às nove e quarenta da manhã, Helena recebeu a confirmação que todos esperavam — e, ao mesmo tempo, temiam.— Ela está lá — disse, em voz baixa, ao telefone. — Sentada. Documento em mãos. Não recuou.Luna fechou os olhos por um instante.— Sozinha?— Não — Helena respondeu. — Com advogado. Mas não é dele que ela precisa agora.Na mansão Valmont, o silêncio tomou uma forma quase solene. Adrian estava de pé, próximo à janela. Elias sentado no sofá, abraçando os joelhos, atento demais para uma criança da sua idade.— Ela vai falar de mim? — perguntou Elias.Luna se aproximou devagar.— Ela vai falar do que viu — respondeu. — E isso não é sobre você. Nunca foi.Elias assentiu, sério.— Então tá.No prédio discreto onde o depoimento acontecia, a ex-funcionária do hospital respirava fundo antes de falar. Chamava-se Marina Alves. Nome comum. Vida invisível por
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